Avaliação Mediadora e Formativa

Avaliação Mediadora e Formativa
Educação

10/12/2020

"É tempo de redefinir o papel do educador como o mediador que dinamiza as trocas de ação entre o educando e o objeto de conhecimento com vistas à apropriação do saber pelo sujeito e do mediador entre a criança e o seu grupo de iguais, viabilizando as trocas necessárias ao exercício das cooperações que sustentam o desenvolvimento das personalidades autônomas no domínio cognitivo-moral, social e afetivo."

(Rangel, 1992)

A perspectiva de uma Avaliação Mediadora e Formativa tem como princípio maior a reflexão da ação, mas enfrenta inúmeros desafios quando a prática existente é de uma Avaliação Classificatória tida como garantia de qualidade de ensino. O grande receio aos processos avaliativos inovadores deve-se ao temor da superficialidade e subjetividade de registros pelos professores. Frente a essa resistência, muitas vezes as escolas não realizam mudanças necessárias com relação à avaliação, quando na verdade deveriam refletir sobre o verdadeiro sentido da avaliação na comunidade escolar.

Jussara Hoffmann em seu livro Avaliação Mediadora faz uma análise detalhada sobre os efeitos de uma avaliação meramente classificatória e defende que as propostas pedagógicas de não-reprovação não devem ser entendidas como propostas de não-avaliação. O professor precisa compreender o que de fato significa a palavra processo e ampliar sua ideia de prática avaliativa, percebendo que apesar de não avaliar para aprovar ou reprovar, ele tem o papel de avaliar no sentido de observar, realizar tarefas e orientar.

A avaliação do desempenho necessita ser permanente, uma vez que a aprendizagem é um processo contínuo, diferente do sistema de provas ocasionais. Necessita ter ainda, um caráter diagnóstico e nunca um meio de punição, aferição de certo ou errado, de inclusão ou exclusão.

Sabemos que a educação infantil e o processo de alfabetização são campos particulares e desafiadores de avaliação, onde o registro é, sobretudo, a imagem de um trabalho e dos passos efetivos do progresso individual. A equipe pedagógica precisa investir em momentos de reflexão sobre os fatores de acompanhamento do desenvolvimento dos alunos, buscando educar o olhar dos professores para que utilizem uma linguagem bastante similar. Quando isto não ocorre, os alunos e os pais não conseguem compreender as escolhas e os pareceres dos professores e consequentemente ficam inseguros e confusos.

Os registros da avaliação exigem exercício do professor, exercício de prestar atenção nas manifestações dos alunos, de descrever e refletir teoricamente sobre tais manifestações, de partir para encaminhamentos ao invés de permanecer nas constatações. Neste sentido, Jussara Hoffmann alerta para o fato dos professores evitarem o registro exclusivo dos aspectos atitudinais e ter em mente que o sentido da avaliação é de encaminhamento (tomar providências) e não de mera constatação.

Por isso os relatórios individuais não podem se transformar em roteiros fechados, mas devem “expressar avanços, conquistas, descobertas dos alunos, bem como relatar o processo vivido em sua evolução, em seu desenvolvimento, dirigindo-se aos encaminhamentos, às sugestões de cooperação entre todos que participam do processo” (p. 104).

Cabe ao professor organizar os trabalhos dos alunos como um mediador, explicando e propondo situações em que diferentes habilidades sejam desenvolvidas, levando o aluno a se construir como agente de sua própria aprendizagem. As habilidades elencadas por Hoffmann referentes à Educação Infantil que o professor precisa ter em mente ao planejar suas aulas são:

  • Observar
  • Conhecer
  • Localizar no tempo
  • Separar/ reunir
  • Medir
  • Relatar
  • Combinar
  • Localizar no espaço
  • Classificar
  • Criticar

 

Quando a equipe educacional acreditar e apostar de fato neste modelo de avaliação, quem sabe a escola não se aproxima mais da vida real, já que avaliação no nosso dia-a-dia significa refletir para mudar, para tentar melhorar nossas vidas. “Fazemos isso todo o dia, todo o tempo, sem programações. Tentamos várias vezes descobrir melhores soluções para um determinado problema e amadurecimentos a partir de algumas tentativas frustradas”. (Hoffmann, p. 148).

 

Referências Bibliográficas:

ANTUNES, Celso. Como transformar informações em conhecimento. Petrópolis, RJ: Vozes 2001.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Editora Mediação, 1993. 20ª Edição revista, 2003


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Thaís Sindice Fazenda Coelho

Thaís Sindice Fazenda Coelho


Pedagoga, Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Educação para o Pensar pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e em Alfabetização pelo Instituto Vera Cruz (ISEVEC). Com 20 anos de experiência na Educação Básica, atualmente desenvolve programas de formação de professores, pesquisas e materiais didáticos como Diretora Pedagógica do Trocando Ideias.

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